Histórias do Ravel


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Parada obrigratória


Não que eu odeie viajar de ônibus, mas, quando se trata de uma viagem de 780 km e só tem ônibus convencional ai complica né? Se já não bastasse o tumulto e as paradas na estrada, as crianças chorando, algumas vomitando, o banheiro fedorento e um cara dormindo no meu ombro, na subida da serra no meio do NADA o ônibus para. Bom, parar não foi o problema, o problema foi o risco de incêndio, e a espera por outro ônibus por três horas que pareciam três anos. Pela foto a gente consegue ver que não é muito civilizado o local, consegue perceber também as pessoas sentadas na sombra de um calor de 37º. Quando já ia escurecendo, os mosquitos, a sede e a fome tomaram conta de mim e ali eu fiquei esperando, ouvindo Bob Marley no meu mp3 que já estava descarregando. Como sempre existe um reclamão em todo lugar, não faltou o cara que colocava a culpa no motorista o tempo todo, durante as três horas são se ouvia "por que não levou pra revisão? A gente vai ficar com fome?". Confesso que me distrai ouvindo as histórias de dona Esmeralda, uma velhinha simpática que contou em pouco tempo a triste história do seu filho que foi assassinado meses antes, falou sobre a fé que a ajudou a superar, já outro rapaz, tentava nos “acalmar” "dizendo que ali era o trecho mais perigoso do percurso, onde já haviam ocorridos assaltos e outros crimes. À noite quase três horas depois chegou nosso "resgate" que nos levou a salvo para nosso destino. Por todo caminho só se ouvia as pessoas comentando sobre o ocorrido.